Histórias da Hilê: com trabalho e humildade Julcimar conquistou seu espaço na indústria

Quando pedimos para alguém contar sua história, estamos acostumados com um início que conta sobre a infância que teve na zona rural. Em Xanxerê, Oeste de Santa Catarina, local onde está instalada a Hilê, isso é muito comum, uma vez que o município não tem muitos anos de emancipação e ainda está em crescimento. 

E é uma história que tem exatamente esse início que você vai conhecer hoje no Histórias da Hilê. Um homem que veio de família humilde mas cheia de vontade para trabalhar e ajudar os filhos a conquistar seu espaço. 

Você vai conhecer hoje a história do Julcimar, nosso colaborador há 13 anos que viu a empresa crescer e evoluir e fez parte de todo esse processo. Ele faz parte da equipe da Hilê desde 2008, já atuou em diversos setores e hoje trabalha na manutenção. Tutão, como é conhecido entre todos, é o “quebra galho”, que está sempre disposto a ajudar quando alguém precisa. 

 

 

Natural do município de Xanxerê, Julcimar Nunes de Oliveira é filho de Angélica de Oliveira (em memória) e Cristiano Nunes de Oliveira e residiu com os pais no interior do município, Linha Faxinal do Irani, até os 25 anos. Mesmo gostando da vida no interior, Jucemar decidiu que precisava trilhar o seu caminho e decidiu se mudar. 

Ele lembra com carinho da época que viveu com os pais e irmãos no interior. Ao todo o casal teve cinco filhos, mas Jucemar perdeu uma irmã, sendo que hoje os irmãos são duas mulheres e dois homens. 

Quando criança, ele conta que estudava em uma escola na própria comunidade e andava cerca de 6km todos os dias para chegar até lá. Já mais velho, começou a frequentar uma escola na cidade e precisava pegar o ônibus todos os dias. Vindo de família humilde, Julcimar sempre contou com o apoio dos pais para seguir nos estudos e buscar seus sonhos. 

Sempre disposto e pronto para ajudar, desde sua juventude buscava auxiliar com as despesas da casa. Então, sempre que podia ele vendia frutas na beira da rodovia para poder ter uma renda. O valor que conseguia ele dava para a mãe. “Se minha mãe precisava de alguma coisa eu sempre dava um jeito e dava o dinheiro para ela comprar” (Julcimar).

Durante o período em que ainda morava com os pais, ele teve um relacionamento que trouxe um dos seus maiores presentes: a filha Bruna Fernanda, que hoje tem 21 anos e é casada. 

Filha Bruna Fernanda com o marido e filha

Julcimar lembra que a gravidez foi uma surpresa para os dois, que eram tão jovens na época. Mas, apesar do susto, um bebê sempre traz alegria e também muita responsabilidade. E, apesar de não manter o relacionamento com a mãe de Bruna, ele sempre esteve presente e auxiliou em todas as fases. 

“Foi bom quando ela nasceu, mas ao mesmo tempo foi um momento difícil, eu tive que trabalhar muito para manter. Na questão financeira às vezes eu ficava sem para mim para dar para ela. Daí ela cresceu, ficou moça, casou, eles se dão super bem, se tá bom pra ela então tá bom pra mim” (Julcimar).

O tempo foi passando e o jovem sentiu a necessidade de buscar o seu espaço. Foi quando decidiu procurar trabalho. Seu primeiro emprego foi em uma granja de ovos. Depois, em uma fábrica de ração, onde passou quatro anos trabalhando. 

“Fiquei feliz quando ganhei meu primeiro salário no primeiro emprego. Tinha uma bike para ir trabalhar, daquelas freio de pé. Minha mãe preparava uma panelinha de comida e eu levava na sacolinha, meus colegas cada um com sua marmita, era um tempo feliz a gente se reunia para comer no almoço. Foi uma realização para mim ter o trabalho e conquistar meu dinheiro” (Julcimar). 

Ao sair do segundo emprego ele decidiu se mudar para a cidade e ter sua independência. Julcimar tomou essa decisão na época com pouco dinheiro para se manter, mas com toda a coragem de recomeçar quantas vezes fosse necessário. Pegava sua bicicleta e distribuía currículos nas empresas na esperança de conseguir um emprego. Conseguiu trabalho em uma empresa recuperadora de plástico e alugou uma casa para morar. 

“Foi difícil vir para a cidade, eu vim com um pouquinho de dinheiro e com esperança que ia conseguir um novo trabalho e ia me encaminhar. Vim com o peito e a coragem porque vim sem nada e sem recurso de nada e fui me virando. Levei currículo em todos os lugares mas não tinha esperança que me chamassem porque era difícil você sair e se deslocar para outro lugar e se adaptar com outras pessoas e amizades, era bem difícil. Não sabia se ia dar certo ou se teria que voltar para a casa dos meus pais. Mas não voltei, resisti, pensava também na minha filha que eu precisava ajudar a sustentar e queria sempre dar o melhor para ela e consegui, dentro das minhas condições” (Julcimar).

Por oito anos ele morou sozinho e arcou com todas as despesas da casa. Nesse período, após três anos nessa empresa, ele veio trabalhar na Hilê, em 2008. Aqui conheceu um colega com o qual começou a dividir a casa e as despesas. 

Um marco na sua vida

Dentre as diversas fases e momentos da vida, um em especial o marcou muito: o falecimento de sua mãe, quando ele tinha 33 anos. Sua morte foi repentina e deixou todos da família em choque. Foi um momento que Julcimar relembra com muita tristeza. Após isso ele conta que os irmãos se separaram, sendo que hoje moram em outras cidades com suas famílias. 

Com carinho ele lembra das datas especiais em que todos se reúnem, momentos que reforçam a importância da família e confortam o coração após a perda da matriarca da família. Na casa do pai, onde viveu sua infância, é seu lugar de paz.

“O que me marcou muito na minha vida foi perder a minha mãe, eu tinha 33 anos, fiquei sem chão, eu tinha alguns projetos e acabei deixando de lado, me ocupei trabalhando. Eu era muito apegado com minha mãe. Hoje nos reunimos nas datas especiais com nosso pai. Lá consigo descansar, me sinto em paz” (Julcimar).

Dentre suas prioridades, Julcimar destaca a importância da família. Mantendo sempre a humildade, ele tem sonhos, mas mantém os pés no chão e destaca que o importante para ele é estar trabalhando e poder se manter e ver a família bem também. Sobre os conselhos de sua falecida mãe, ele conta que se arrepende apenas de não ter seguido nos estudos. Hoje, sempre que tem a oportunidade, ele faz cursos de aperfeiçoamento. 

Julcimar e família

Ele começou a trabalhar na fazenda da família Botta, onde conheceu o gestor Sandro Botta e seu pai, seu Egídio (em memória), antes de vir para a indústria. Muita matéria-prima usada na fabricação dos chás na época era de lá. 

Já trabalhando aqui na indústria, Julcimar lembra que a estrutura era bem menor do que se tem hoje. Ele participou de todo esse crescimento da Hilê, da fabricação de chás até todo o blend de produtos que produzimos hoje. Na época em que veio para cá ele conta que a empresa tinha cerca de 25 colaboradores. 

“Aqui eu sempre fiz um pouco de tudo. Quando eu comecei tinha fornos ali onde agora é a metalúrgica. Nesses fornos eram colocadas as matérias primas dos chás, a cidreira, carqueja e outros tipos de chá. Depois ele parou e virou a metalúrgica. Hoje ele já não produz mais, agora ele compra a matéria-prima, só embalamos aqui. Muita coisa mudou” (Julcimar).

No início ele percorria quatro quilômetros de bicicleta para vir trabalhar e trazia sempre sua marmita, mas depois começou a fazer as refeições na empresa, pois já havia a cozinha com refeitório. Na época a comida era toda preparada em um jipão e era Julcimar quem preparava a lenha para o fogo. Ele conta que dos colegas de trabalho da época, a maioria está aqui até hoje e é como uma segunda família para ele. 

E falando em família, pouco antes de entrar na Hilê, Julcimar conheceu sua atual esposa, a Deise. Eles tiveram um relacionamento, mas ela mudou de cidade e não tiveram mais contato. O que ele não sabia é que a moça carregava consigo seu segundo maior presente: a filha Ana Carolina, hoje com 13 anos. 

Julcimar e a esposa, Deise

Ele não sabia da gravidez de Deise e conheceu a filha só quando ela já tinha oito anos de idade, quando a mulher o procurou e contou sobre Ana. Assim como a primeira, saber sobre essa filha também foi uma surpresa, mas que reacendeu o amor paterno. Assim que a conheceu, os dois já tiveram uma grande conexão e amor um pelo outro. 

“A Ana começou a conversar comigo, ela é muito querida e ficou feliz em me conhecer, disse ‘bah, eu soube que o senhor é meu pai’ e começamos a conversar e daí fomos para todo lado e eu assumi ela, ela vai precisar de mim também como a outra precisou, acolhi minha filha e a mãe dela e hoje vivemos juntos, foi bem tranquilo. Até achei que a menina ia estranhar porque em 8 anos ela nunca me viu mas ela tem um amor enorme, ela pegou um amor por mim e é muito bom, eu não esperava mas foi bem tranquilo” (Julcimar).

Outro presente na vida do Tutão foi quando descobriu que seria avô. Hoje ele se sente completo, fazendo parte da vida das duas filhas e ainda curtindo a infância da neta, que hoje tem dois aninhos. 

“É muito bom ser avô, é uma renovação na vida. Você começa reviver de novo, é um presente de Deus. Eu não achava que eu ia virar avô tão cedo, pra mim foi uma surpresa quando ela me ligou e disse que estava grávida, não esperava que fosse tão cedo assim, mas foi uma alegria muito grande” (Julcimar).

Humildade, a base de tudo

As conquistas de Julcimar são baseadas no seu trabalho e família, uma realização para ele conseguir manter esses dois campos da vida sólidos. Com carinho ele lembra do início da história da indústria, com poucas máquinas e tudo mais simples. Ainda, ele conta que estar aqui o ajudou no seu desenvolvimento pessoal também, além do profissional. Cursos e oficinas oferecidas aos colaboradores o ajudaram a melhorar sua comunicação e ser mais aberto com as pessoas. 

Julcimar acompanhou a expansão da produção, como o início da produção de cápsulas. Ele lembra que as primeiras máquinas eram pequenas e, muitas vezes, problemáticas, mas que contribuíram também para que a empresa se tornasse uma das maiores indústrias do Brasil. 

“Acompanhei quando chegou a primeira máquina de cápsulas, era pequena e exigia bastante manutenção, mas como a empresa foi crescendo, com o tempo foram compradas outras máquinas maiores e melhores. A gráfica também era pequena, só fazia as embalagens para a própria fábrica e hoje já cresceu a ponto de terceirizar também a produção das embalagens” (Julcimar).

Julcimar (agachado, no canto esquerdo) e alguns colegas de trabalho

Julcimar é grato ao seu emprego e por conseguir, através dele, dar boas condições a sua família, especialmente suas filhas. O trabalho sempre foi seu refúgio, um local onde ele também se diverte com os colegas e amigos que fez aqui dentro. E o Tutão é aquele cara que está sempre bem-humorado e brincando com todos e está sempre disposto a ajudar. Se você pede ajuda ele é o cara que vai dar um jeito em tudo. 

“O que precisam de mim, eu to pronto pra ajudar, eu sempre fui assim, fui criado assim, não sei ser diferente. Aqui eu aprendi de tudo, já trabalhei com tudo, as construções, arrumar máquinas, mexer nas coisas, até hoje se eu não estou aqui dentro da fábrica estou na cidade, no loteamento. Estou sempre fazendo de tudo, se precisar no chá eu vou lá, na expedição ‘tô’ ali, ajudo os colegas onde precisar, às vezes vou no recebimento. Não tenho setor certo, mas precisou de mim eu ‘tô’ ali” (Julcimar).

Dentre seus conselhos, Julcimar aponta como um dos pilares fundamentais da vida ter humildade, em todos os aspectos, mas especialmente no trabalho “ter a humildade de aceitar e aprender com os outros, se não sabe fazer tem de pedir ajuda, ser humilde de coração”.

Julcimar, somos gratos por poder contar com um colaborador como você, sempre disposto a ajudar e que está sempre de bom-humor. Agradecemos pelo seu comprometimento e dedicação com a Hilê!

 

 

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